Brevidades lácteas

Formações

Festival Fermentar em Goiânia de 24 e 26 de agosto. Em sua segunda edição, com degustação, cursos de cura, fabricação e vendas ministrados por Hervé Mons e Débora Pereira, o festival é uma iniciativa da SerTãoBras em parceria com a loja Dom Rico Artesanal, os Queijos Bem Dito e Teta Cheese Bar, com apoio de Clauger e Sebrae-GO. Inscrições abertas no site www.sertaobras.org.br

Da ordenha à embalagem do queijo. Marly Leite, do queijo Senzala, lançou um calendário de cursos de produção de queijos em sua sede, na fazenda Caxambu em Sacramento. O primeiro será de 26 a 28 de setembro de 2019 e os outros sucessivamente, até o mês de agosto de 2020. O programa intensivo (20h) contempla práticas de agropecuária e ordenha, fabricação (prático e teórico), cura (prático e teórico) e gestão de planilhas para traçabilidade e certificação. Inscrições no site www.sertaobras.org.br

➔ O casal Arivaldo e Daniela Barreto, do Queijo d’Aroeira em Poço Verde, sul de Sergipe, tem aberto suas porteiras para visitantes e oferece cursos de fabricação e degustações. Em uma terra árida, que por três gerações foi de gado de corte, o casal decidiu começar a produzir leite para transformar em queijos em 2012 e se especializou em cura de produtos inovadores, além de relançar a velha receita do Lingote do Capitão Zé dos Santos, um queijo coalho envelhecido. O calendário pode ser acompanhado no instagram.com/queijodaroeira

Queijo de zebu sem fronteiras. A zootecnista Camila Almeida, da Estâncias Silvania de Caçapava-SP, tem dado consultorias para produtores de queijo de leite de zebu na Colômbia, Equador, Panamá e África do Sul. “Naturalmente, o leite de zebu tem um grande potencial ainda não explorado para o queijo, alguns produtores estão se dando conta disso e a procura para formações especializadas é grande. Alguns já vão inscrever seus produtos no Mundial do Queijo do Brasil” disse ela.

Multinacionais lácteas

Suíços nos sertões da Zona da Mata Leste. A Laticínios Porto Alegre vendeu outra parte de suas ações para a multinacional de produtos lácteos suíça EMI. Desde julho os suíços têm 70%, ao invés de 40% anteriormente. Oxalá eles façam como em suas aquisições na Califórnia, onde o meio ambiente e a proteção da natureza das fazendas produtoras de leite são prioridade na atividade de fabricação.

Franceses em Uberlândia. Já a Savencia, multinacional de laticínios proprietária da Polenghi, está terminando uma estrutura de transformação construída pela Cooperativa Agropecuária de Uberlândia (Calu) em 2013. A cooperativa vai continuar a gerir os contratos de compra de leite para Savencia. 400 empregos diretos foram anunciados para a cidade quando a unidade estiver operacional.

Legalização e política

➔ O SIM de São Roque de Minas já tem cerca de 30 produtores, 15 em processo de certificação e 15 já vendendo queijo legalmente. “O que acho mais importante no SIM, é a possibilidade de individualização de cada caso, podendo oferecer uma solução diferente para cada situação de modo a ter um produto sadio e original" disse Marcos Gonçalves da Costa, diretor de Meio Ambiente e Agricultura. "O SIM está próximo ao produtor, liberta a criatividade e a diversidade” confirmou o prefeito Roldão de Faria Machado, um entusiasta da fiscalização local.

Diálogo saudável. A secretária de Agricultura de Minas Gerais Ana Valentini vai abrir reuniões com convidados externos para discutir a regulamentação da Lei n° 23.157, que trata da produção e comercialização de queijos artesanais de Minas Gerais. Já foram feitas reuniões internas para definição do fluxograma de trabalho. O veterinário Leôncio Diamante é quem vai representar a SerTãobras nessas reuniões, para as quais a associação foi convidada pela primeira vez.

Festejando o Selo Arte. Bem no dia da assinatura do Selo Arte, 18 de julho, fiscais do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e Polícia Militar de meio Ambiente de Carmo do Paranaíba apreenderam 8 mil quilos de queijos clandestinos. A ação de busca e apreensão no Comercial Marieli LTDA tinha como objetivo apurar denúncia anônima referente a fiscalização de rótulos e selos para comercialização de queijos. Não foram feitos exames da sanidade e não foram contactados os produtores da agricultura familiar que produziram os queijos para saber a sua situação.

“Minha política é o queijo”. Intimado por seus amigos da oposição a não levar de presente um queijo canastra real de 5k para o presidente da república na solenidade de assinatura do Selo Arte em Brasília, João Leite, presidente da Aprocan respondeu: “levo sim, minha política é o queijo”. Só que na foto, Bolsonaro acabou ganhando um canastra tradicional de 1k. “Não levei porque não tinha” despistou Joãozinho.

Muito cacique pra pouco índio. De autoria dos deputados Zé Silva (Solidariedade-MG) e Alceu Moreira (MDB-RS), a Lei nº 13.860 que dispõe sobre a elaboração e a comercialização de queijos artesanais foi publicada em 19 de julho no Diário Oficial, mas teve oito vetos do presidente da república. Entre eles, foi excluído o artigo que permitia a comercialização do queijo artesanal em todo o território nacional e no exterior, desde que cumpridas as exigências da lei e do país importador, alegando que o dispositivo “gera insegurança jurídica em razão de potencial conflito com legislações já existentes na esfera federal”.

Ponto para os queijos novos. A lei dos dois deputados define queijo artesanal como aquele elaborado por métodos tradicionais, com vinculação e valorização territorial, regional ou cultural (...). Por recomendação do Ministério da Agricultura, Bolsonaro vetou este conceito e as condições para ser considerado produtor, porque poderiam gerar insegurança jurídica “em razão de potencial conflito com legislações estaduais e regulamentos já existentes”. Também foram vetados os dispositivos que obrigavam o governo a estabelecer protocolo de elaboração para cada tipo de queijo artesanal, os protocolos sanitários de produção e um cadastro eletrônico de cadastro dos produtores verificados e licenciados. O presidente alegou que os artigos vetados invadem a competência privativa do governo.

Eventos passados

Atelier de Queijo Manteiga. O XV ENEL - Encontro Nordestino do Setor de Leite e Derivados aconteceu em Parnamirim, RN, de 5 a 7 a agosto de 2019. A abertura do evento se deu com a presença da Guilde Internationale des Fromagers. O atelier modelo de queijo manteiga foi animado por Adriana Lucena com apoio do Sebrae, além de cursos, oficinas, exposições e dias de campo.

Pedra do Reino. A Fazenda Carnaúba dos produtores de queijo artesanal Joaquim e Inês Dantas de Taperoá, Paraíba, bateu novos recordes de visitação no último Dia D da fazenda, recebendo 8.678 pessoas para apreciarem 2.500 animais em exposição. A família é especializada na criação de três raças de gado - Guzerá, Sindi e Pé Duro do Piauí - além de cabras e ovelhas nativas do Nordeste, resultado de uma seleção genética minuciosa. O Laticínios Grupiara transforma por volta de 20 mil litros por mês em cinco tipos de queijos e dois tipos de pastas em opções temperadas com marmeleiro, aroeira, cumaru e alfazema.

Indenização de bovinos. A previsão da retirada da vacinação contra a aftosa no Brasil é para 2021. “Um país livre de aftosa sem vacinação é o estágio maior do controle sanitário perfeito. O Fundesa é um grande instrumento que conseguimos criar. Em caso de foco, haveria a demarcação da área e o fundo indenizaria aqueles produtores que perdessem animais. É uma garantia que permite ter condições de lidar com o foco e continuar nosso processo tranquilamente”, explicou Roberto Simões, presidente da FAEMG, na semana do Fazendeiro em Viçosa. Do total do Fundo de Defesa Sanitária do Estado de Minas Gerais (Fundesa) 70% dos recursos são apenas para fins indenizatórios e 30% podem ser utilizados para outras atividades sanitárias animais.

➔ A Minas Láctea, feira realizada em Juiz de Fora a cada dois anos pela EPAMIG e ILCT, convidou pela primeira vez esse ano produtores de queijos artesanais para participarem. Tradicionalmente voltada para a indústria láctea, o evento é referência na difusão de tecnologias sobre leite e derivados.

Cave à francesa. Em sua última visita ao Brasil para vender equipamentos para produtores, os técnicos franceses Mikel Aranzabal e Sébastien Lagneaux da empresa Clauger (especializada em tratamento de ar e equipamento de frio para salas de cura de queijo) visitaram Sacramento-MG para conferir a construção da nova cave subterrânea de Marly e Joel do queijo Senzala. “Há 20 meses, viemos e ajudamos no projeto. Dessa vez nós vimos o resultado, um maravilhoso trabalho faraônico feito à mão, com as pedras da fazenda” disse ele. Em breve será instalado o equipamento de frio para manter a temperatura e a higrometria desejadas mesmo no verão. No inverno a temperatura de 14ªC e higrometria de 95% já são bem satisfatórias. Os dois aproveitaram a visita para participar de uma fabricação e colocaram mão na massa! Antes da passagem em Sacramento, Clauger expôs na Minas Láctea.

Cultura queijeira sem fronteiras

➔ Uma nova boutique de queijos do mundo inteiro será inaugurada em novembro em São Paulo, com cheese bar e espaço para degustações e formações. A iniciativa é do casal Ligia Falcone e Mark Rozhanskiy, ela sommelière e chef de cozinha e ele executivo de multinacional. Os dois se preparam há dois para a conversão queijeira e fizeram varios cursos, entre eles cursos de cura de queijos na Maison Mons na França, cursos de produção de queijo artesanal na The Art of Cheese em Colorado e de análise sensorial na Cheese School de San Francisco nos EUA. “Fiz estágio na boutique Mons e visitamos muitas lojas de queijo e produtores na França e na Itália para ter inspiração para lançar nosso negócio no Brasil, que tem como missão fortalecer e promover a cultura queijeira local”, disse Lígia.

Queijo brasileiro tipo chinês. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina liberou 24 indústrias lácteas para exportarem para a China já a partir do mês de agosto. “Temos um mercado pela frente. O Brasil não é um grande exportador de lácteos, mas vai passar a ser. Vai ser muito bom para o mercado interno, onde estamos vivendo uma crise enorme de preços para o produtor”, disse a ministra, em entrevista ao Bom dia MS, exibido pela TV Morena, afiliada da TV Globo. ◼