Combate aos queijos fakes

A luta para proteger a imagem de queijos autênticos é mundial. Entenda como esse problema se passa na França e no Brasil.

O exemplo da CooperSerro

E

mbora dispositivos de proteção, como as indicações geográficas e os registros de marcas por associação e cooperativas sejam comuns, não falta criatividade para os comerciantes que vendem queijo no mercado clandestino.
Na região do Serro, a marca “Do ­Serro” pertence à Cooperativa dos Produtores Rurais do Serro, criada em 1969. A Apaqs, associação que detém a Indicação Geográfica, lançou uma marca que, na opinião da cooperativa, confunde os consumidores. “Nossos advogados não aceitaram, entramos com oposição no INPI e eles vão mudar a marca deles” disse Carlos Dumond, presidente da CooperSerro.

>> Delação premiada

A cooperativa registrou em 1995 as marcas “Do Serro” e “Cooperserro”, com o desenho de uma vaquinha azul também protegida. Desde então, já notificou vários comerciantes flagrados usando variações grotescas dos rótulos.
“Alguns persistem em utilizar e precisamos registrar queixa, mas a maioria faz acordo e não precisamos dar continuidade ao processo na justiça” disse Carlos. No último caso, em Bragança Paulista, foi negociada uma “delação premiada” com o dono da loja onde estavam os queijos falsificados. O comerciante forneceu todos os dados do distribuidor que imprimiu os rótulos falsos onde constava até um SIF. “Só o telefone era diferente” precisou Carlos.

A maior parte das apreensões de queijo em Minas Gerais se dá por denúncias pela falsificação de rótulos.

A CooperSerro usa há quatro anos também a marca da Estrada Real, um licenciamento do instituto de mesmo nome.

>> Meia cura e curado

A cooperativa hoje conta com 78 produtores, sendo que 56 fornecem queijos regularmente. “Com essa moda de cura, uma turma está maturando e vendendo seus próprios queijos, ou enviando só uma parte para a cooperativa” conta Carlos.
A própria cooperativa já tem sua sala com temperatura de 18ºC e 95% de umidade onde matura mil quilos de queijos por mês.
Ao todo, eles comercializam 55 toneladas de queijos em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. ◼