Queijo de Alagoa tem novo produtor

Escritura lavrada no cartório, cartão de produtor rural pronto, estou transbordando de alegria 

“Escritura lavrada no cartório, cartão de produtor rural pronto, estou transbordando de alegria” disse Osvaldo Martins de Barros Filho, do Queijo d’Alagoa-MG, no sul de Minas Gerais. Ele comprou uma fazenda em fevereiro de 2019 e espera estar com sua queijaria pronta até o final do ano. A área tem 11ha, localiza a 1600m de altitude no bairro Companhia em Alagoa. “Foi uma preparação de Deus a aquisição deste imóvel, era um sonho antigo que tornou-se realidade.” conta Osvaldinho.
A tradição do queijo em Alagoa é centenária. Iniciada em 1920 pelo italiano Paschoal Poppa, mudou o rumo da história do pequeno município. Apesar de ser conhecido como "Parmesão de Alagoa" ou "Parmesão da Mantiqueira", o nome certo do queijo é Alagoa, como a cidade, uma receita de massa prensada semi cozida de leite-cru e natural, sem corantes nem fermentos do comércio.

Alagoa fica na unidade de conservação APA Serra da Mantiqueira e no Parque Estadual Serra do Papagaio, no entorno do Parque Nacional do Itatiaia. Também integra o Corredor Ecológico Mosaico da Mantiqueira. Ou seja, é nesse ambiente naturalmente preservado que o queijo é elaborado. Por ser muito isolado, por anos o produto era escoado apenas em um raio de 200 km. Em 2009 Osvaldo começou a vender queijos primeiro pela internet e com isso salvou de ser fechada a agência dos Correios de Alagoa. Desde 2017 comercializa também em sua loja física na cidade e recebe muitos turistas na Rota do Queijo e Azeite de Alagoa, criada em 2018.
Osvaldinho é um entusiasta do queijo artesanal e sucesso de marketing. Já saiu em praticamente todas as revistas e programas de TV especializados em gastronomia e assuntos rurais do país. “Minha vida mudou com a medalha de bronze no Mundial do Queijo da França em 2017, desde então tenho podido ajudar mais produtores".

Osvaldo acredita também no intercâmbio de conhecimentos para valorizar o queijo. “Nossa cultura precisa ser forte o suficiente para permitir este enriquecimento vindo de outros territórios, tribos, línguas e povos. Cultivar preconceitos contra tal país ou tal cultura diminui a oportunidade de nos tornarmos melhores ! Assim como leite cru misturado com pingo, coalho e sal resulta em queijo delicioso, as misturas de povos, línguas e tribos resultam em quem nós somos como brasileiros, no nosso DNA !” disse ele entusiasmado. ◼

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