MOF, uma experiência intensa !

Final. Christelle Lorho (Estrasburgo), que vem ao Mundial do Queijo do Brasil em Araxá, e Vincent Vergne (Nîmes) são os vencedores do concurso de "Meilleurs Ouvriers de France" (Melhor Artesão da França) categoria queijo, cuja final foi realizada em Lille, norte da França. Veja as obras magistrais dos dez finalistas, com o tema "formas e cores" e o testemunho de como viveram as provas na intimidade.

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e investimos muito ou pouco na preparação desse concurso, o combate final é sempre contra você mesemo », résume Christelle Lorho, vencedora da competição de 2019. A fabricante de queijos de Estrasburgo, que finalmente se juntou ao marido Cyrille no pequeno círculo de queijeiros que têm direito de usar o colarinho azul-branco-vermelho (24 somente), fala conscientemente depois de ter disputado três finais : o sucesso é se dominar, como um grande esportista. Eu vali para esta edição de um sofrologista e um coach corporal, isso me ajudou muito".

Desde o início do evento, os candidatos fizeram várias idas e voltas entre a cena da prova e o caminhão para descarregar dezenas de quilos de mercadorias e suportes. Muitos chegaram a Lille exaustos, fisicamente e psicologicamente, após intensas preparações nas últimas semanas entre a movimento intenso das festas de fim de ano nas suas queijarias e a prova final. O grande número de candidatos que se cortaram au usar as facas durante o concurso - mais da metade - atesta isso.

"Eu usei a técnica de visualização mental, decompondo meticulosamente a seqüência dos gestos que eu deveria realizar"

"Fisicamente, foi uma provação", confirma Pierre Coulon, "uma maratona cansativa.". "Eu joguei rúgbi por muito tempo, contou Matthias Leimbacher, eu achei que sabia o que era um esforço contínuo. Quando a prova terminou, me senti totalmente exausto. No dia seguinte, tive dores no corpo todo...".

"Eu estava super nervoso", disse Vincent Philippe, por sua vez, "Eu encontrei forças no fundo de mim mesmo, fiz todas as preparações nas últimas seis semanas e perdi 8 quilos nesse tempo. No domingo anterior, meus suportes ainda não estavam prontos e não consegui executar a obra completa antes do concurso, apenas por partes. Para o próximo concurso vou me preparar com muito mais antecedência" disse ele.

Vincent Vergne, o outro vitorioso na final após já ter chegado na final em 3 concurso anteriores, disse que chegou em Lille com "a alma de um guerreiro celta e a penitência de um monge tibetano. Há apenas dois inimigos no concurso : tempo correndo e você mesmo. Eu disse para mim mesmo : concentre-se no momento presente, esteja aqui e agora. Tudo estava pronto na minha cabeça, eu treinei como pilotos da aviação militar francesa, visualizando mentalmente etapa por etapa, memorizando a seqüência de gestos a serem feitos. Eu também estabeleci intervalos de tempo que eu verifiquei regularmente. Acho que coloquei os queijos nas mesas sorrindo, sentindo prazer, feliz por estar lá. Em 2015, um coach me ensinou como ancorar os pés no chão, como respirar. Eu estava pronto !. Esta vitória é em primeiro lugar a capacidade de ir até o fim de si mesmo. Cada vez que concorri, consegui ultrapassar os meus limites".

>> "O momento mais intenso da minha vida"

Para cada candidato, o concurso foi um momento intenso. "Uma experiência louca, foi ótimo, resume Matthias Leimbacher. "Meu pior momento foi quando Michel Fouchereau anunciou que tínhamos uma hora e meia nas três horas de folga, enquanto eu não tinha terminado minha segunda mesa. O melhor foi quando percebi que ia terminar o trabalho na hora certa" disse ele.

"Uma super experiência, onde você se dá muito. Entrei em um percurso de auto-treinamento e exercícios, muito exigente da nossa dedicação"

Jean-François Dubois, que concorreu pela segunda vez e na primeira chegou na final, em 2015, mas não ganhou, disse que conseguiu se enxergar com mais distância dessa vez. Ele diz que após essa derrota não pretende mais se apresentar, mas evoca a prova como uma "uma super experiência, onde você se dá muito. Entrei em um percurso de auto-treinamento e exercícios, muito exigente da nossa dedicação. Isso faz você se mover em todos os níveis. É um pouco pretensioso a princípio querer competir em tal competição, eu estava longe de pensar que eu tinha o meu lugar, então nos envolvemos no jogo, é emocionante, aprendemos muito, nos superamos, somos movidos à adrenalina. Acredito que a realização do trabalho durante a final de 2015 foi o momento mais intenso da minha vida ! Levei várias semanas para me recuperar" disse ele. O fabricante de queijos Arras enfatiza o "caráter aguçado da competição : por meses, negócios e vida pessoal tendem a ficar em segundo plano".

>> O reconhecimento dos clientes

O retorno à vida cotidiana não é fácil. "Demorei de 15 dias a 3 semanas para me recuperar do concurso em 2015", relembra Jean-François Dubois.

"Eu me senti dilacerada depois da final", diz Christelle Lorho, "gastei um tempo infinito para recuperar o ritmo". "À noite, acordo de novo pensando no concurso, sem saber se a prova final vai acontecer ou se é passado ", diz Nicolas Got, lembrando os "momentos de dúvida e euforia". Jean Bordereau descreve "um retorno diário muito difícil, especialmente na primeira semana, a excitação caiu, fiquei entre a decepção e a frustração, estou um pouco irritado comigo mesmo, sei que cometi erros de experiência, eu administrei mal o meu stress ". Benoît Leenhardt evoca a derrota um "pequeno tapa na cara salutar, que me colocou de volta no meu lugar e me convida a questionar. Agora eu sei o que fazer e não fazer !

""Mesmo sem vencer, sentimos mais legitimidade, temos o reconhecimento de nossos pares, recebemos muita gratidão, isso nos faz progredir".

Vincent Vergne lembra sua reação aos golpes de derrota que recebeu nas 3 vezes anteriores. "Sob o efeito do desapontamento, eu me perguntei se não deveria deixar de ser queijeiro. Em 2011, eu passei perto da depressão. Em 2015, fiquei com ódio de mim mesmo. Mas o sonho permanece intacto. Cada vez, eu sempre sabia, no fundo de mim mesmo, que eu me representaria e voltaria com tudo para vencer.". As reações em volta foram muito importante para levantar Vicent. "Os clientes me consolavam dizendo que já estavam orgulhoso de mim, que eu já estava entre os 10 melhores da França". "Senti mais legitimidade de ter ido pra final, recebi a gratidão dos nossos pares, reconheço que não ganhei mas progredi", comenta Pierre Coulon.

>> A altura de si mesmo

"Acreditar na sua estrela", resume Christelle Lorho ... "e se rodear de pessoas do bem. Saber escutar, mas não se deixar desestabilizar : quando você começa a pensar no seu trabalho, falando sobre o que quer fazer, te faz enfrentar o ceticismo e se deixar conquistar pela dúvida. É aí que você pode ficar desmoralizado. Para esta edição, trabalhei praticamente sozinha, com apenas alguns interlocutores totalmente fora da profissão. Eu só pedi a Cyrille, meu marido, ajuda para a logística. "

Finalmente, mais que a realização da grande obra, foi a prova anterior de demonstração queijeira que mais desestabilizou muitos candidatos. Eles receberam uma caixa contendo três queijos de cabra Charolais AOP, acompanhados de ferramentas de corte. Sua missão : propor, em vinte minutos, uma aula magistral dedicada ao queijo da Borgonha, diante de júris totalmente silenciosos que não manifestavam nenhuma emoção.

"Foi catastrófico, eu não me reconheci, fiquei envergonhado", disse Vincent Philippe. "Eu estava hiper-desestabilizado", contou Denis Pla. "eu saí com lágrimas nos olhos. Eu ter parecido um amador desorganizado, apesar dos meus 35 anos de profissão ! Eu tive a impressão de não ser julgado pelo meu valor, não ter vivido de acordo comigo mesmo, foi o que mais me frustrou" disse ele.

"Minha vitória foi de demonstrar que eu sou eu mesmo" disse Vincent Vergne, filho de Stéphane Vergne, ex-presidente da Federação dos Queijeiros da França. "Não vão mais me dizer que sou filho de alguém importante, é para meu pai que vão para dizer agora que ele é o pai de Vincent..." brincou ele.◼

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